Em "Além da Fronteira", de Michael Mayer, um jovem palestino se apaixona
por um advogado israelense. Quando o relacionamento entre os dois fica
sério, Nimer tem que esconder sua vida da sociedade palestina, que não
aceita o fato de ele ser homossexual. Já a sociedade israelense o
rejeita por sua nacionalidade. O filme venceu o prêmio de filme
estrangeiro do júri popular do Festival MixBrasil Divulgação/Europa Filmes
Exibido em diversos festivais internacionais e vencedor do prêmio de
melhor filme estrangeiro pelo júri popular do 21º Festival Mix Brasil, o
drama israelense "Além da Fronteira", de Michael Mayer, tem o mérito de
colocar em primeiro plano o dramático impasse dos homossexuais
palestinos, divididos entre os próprios desejos e repressão dos dois
lados da fronteira com Israel.
O jovem palestino Nimr (Nicholas Jacob), estudante de Psicologia,
consegue autorização para cursar uma especialização em Tel-Aviv. Sonha
sair de seu país, indo para os Estados Unidos. Ninguém em sua família
sabe de sua homossexualidade. Só em Tel-Aviv ele se sente à vontade para
frequentar bares gays, um território em que tanto palestinos quanto
judeus convivem pacificamente.
Espionando esse pequeno círculo, o
serviço secreto israelense dedica-se a uma tarefa maquiavélica. Prende
os palestinos que vivem ali ou têm permissão para ir a Israel,
chantageando-os para espionar ações clandestinas de ativistas de seu
próprio país.
Se recusam esse jogo duplo, têm cancelados seus passes e são levados
à força para os territórios palestinos. Lá, é comum que sejam
executados pelos próprios compatriotas, ou por serem considerados
traidores, ou por serem homossexuais.
Essa vinculação política
da história ganha conteúdo mais dramático quando se sabe que o irmão de
Nimr, Nabil (Jamil Khoury), aceitou esconder na casa da família várias
armas de movimentos que lutam contra Israel.
Os dilemas de Nimr
só aumentam quando ele se apaixona por um advogado judeu, Roy (Michael
Aloni). Além disso, torna-se alvo da chantagem dos agentes israelenses.
Com uma história tão forte nas mãos, o diretor e corroteirista Mayer
investe tudo no seu lado sentimental, deixando pontas soltas no contexto
familiar e político que envolve Nimr. Faria bem ao filme se Mayer
tivesse se dedicado mais a explorar os desdobramentos envolvendo a
família de Nimr.
O filme é, certamente, romântico, o que explica
o envolvimento do público. Um outro desequilíbrio, entretanto, está na
atuação de Nicholas Jacob, bem mais hesitante do que seu colega Michael
Aloni.
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