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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

"Além da Fronteira" coloca em primeiro plano dilema de gays palestinos

Em "Além da Fronteira", de Michael Mayer, um jovem palestino se apaixona por um advogado israelense. Quando o relacionamento entre os dois fica sério, Nimer tem que esconder sua vida da sociedade palestina, que não aceita o fato de ele ser homossexual. Já a sociedade israelense o rejeita por sua nacionalidade. O filme venceu o prêmio de filme estrangeiro do júri popular do Festival MixBrasil Divulgação/Europa Filmes
 
Exibido em diversos festivais internacionais e vencedor do prêmio de melhor filme estrangeiro pelo júri popular do 21º Festival Mix Brasil, o drama israelense "Além da Fronteira", de Michael Mayer, tem o mérito de colocar em primeiro plano o dramático impasse dos homossexuais palestinos, divididos entre os próprios desejos e repressão dos dois lados da fronteira com Israel. 
 
O jovem palestino Nimr (Nicholas Jacob), estudante de Psicologia, consegue autorização para cursar uma especialização em Tel-Aviv. Sonha sair de seu país, indo para os Estados Unidos. Ninguém em sua família sabe de sua homossexualidade. Só em Tel-Aviv ele se sente à vontade para frequentar bares gays, um território em que tanto palestinos quanto judeus convivem pacificamente.
 
Espionando esse pequeno círculo, o serviço secreto israelense dedica-se a uma tarefa maquiavélica. Prende os palestinos que vivem ali ou têm permissão para ir a Israel, chantageando-os para espionar ações clandestinas de ativistas de seu próprio país.
 
Se recusam esse jogo duplo, têm cancelados seus passes e são levados à força para os territórios palestinos. Lá, é comum que sejam executados pelos próprios compatriotas, ou por serem considerados traidores, ou por serem homossexuais.
 
Essa vinculação política da história ganha conteúdo mais dramático quando se sabe que o irmão de Nimr, Nabil (Jamil Khoury), aceitou esconder na casa da família várias armas de movimentos que lutam contra Israel.
 
Os dilemas de Nimr só aumentam quando ele se apaixona por um advogado judeu, Roy (Michael Aloni). Além disso, torna-se alvo da chantagem dos agentes israelenses.
 
Com uma história tão forte nas mãos, o diretor e corroteirista Mayer investe tudo no seu lado sentimental, deixando pontas soltas no contexto familiar e político que envolve Nimr. Faria bem ao filme se Mayer tivesse se dedicado mais a explorar os desdobramentos envolvendo a família de Nimr.
 

O filme é, certamente, romântico, o que explica o envolvimento do público. Um outro desequilíbrio, entretanto, está na atuação de Nicholas Jacob, bem mais hesitante do que seu colega Michael Aloni.

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