Neste semestre, o Brasil vai ganhar seu primeiro canal de televisão com
a programação voltada para o público LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais,
Travestis, Transexuais e Transgêneros), o We. O canal de entretenimento
inaugura o segmento no país e promete desempenhar um papel importante na
luta a favor da igualdade.
Idealizado pela programadora independente Box Brazil – responsável pelos canais Prime Box Brazil, Music Box Brazil e FashionTV Brasil –, o We terá em sua programação inicial séries, talk-show, telejornal e filmes.
“Nossa ideia é fazer um canal de entretenimento que priorize discussões em torno da diversidade e que envolvam todos os aspectos pertinentes a esse assunto. Queremos também mostrar de maneira ampla temas mais sérios, como direitos humanos e análogos, aos quais a grande parte dos veículos ainda não dá a devida importância”, afirma o diretor da Box Brazil, Cícero Aragon.
“Dessa forma, estaremos preenchendo uma lacuna da TV brasileira”, completa.
Um dos programas previstos para a grade do canal que pretende dialogar
com essa intenção é o noticiário semanal, que transmitirá notícias
regionais e mundiais. “Com o jornal, pretendemos mostrar as conquistas
relacionadas à diversidade sexual, além de fatos que contestem abusos ou
denunciem exageros e distorções sobre qualquer processo de
discriminação”, revela Aragon.
Dessa forma, o We quer tornar-se um instrumento de conscientização social. “Acredito, sem dúvida alguma, que nosso canal terá um importante papel social. Nosso slogan é ‘somos iguais e diferentes’, e acreditamos que ao expor essas diferenças estamos contribuindo para defender os direitos que todos têm de ser tratados como iguais, independentemente de sua orientação sexual”, afirma o diretor.
O primeiro trunfo do We são os seriados. A ideia é transmitir séries já consagradas no universo homo como “The L World”, mas também outras desconhecidas do público brasileiro, como “Verbotene Liebe”, da Alemanha, “Exes & Ohs”, do Canadá, e “Shinsekai Yori”, do Japão. “Ainda estamos em processo de licenciamento da maioria das séries. Mas teremos, com certeza, séries vindas de outros países e algumas originadas primeiramente na internet”, adianta.
Outros programas que farão parte do canal, segundo Aragon, são os shows e um talk-show. Entre os espetáculos musicais estão confirmados a exibição de shows de Madonna, Coldplay, U2 e Katy Perry. “Queremos unir não apenas ídolos diretos do público LGBT, mas bandas que façam diferença na luta contra o preconceito, como o U2”, diz o diretor.
Desafio. Em fase de finalização da programação, o We enfrenta as adversidades de um novo canal pago: é preciso que as operadoras (Net, Oi TV, Vivo TV e afins) queiram tê-lo em suas grades. Nesse processo, os pedidos dos assinantes podem ajudar muito. “A primeira coisa que fizemos foi anunciar para o mercado e utilizar as redes sociais para que o público já conheça e veja do que se trata o canal”, diz Aragon.
A estratégia, diferente da empregada pelos outros canais da produtora Box Brazil, visa à interatividade. “Optamos por seguir um caminho em que as pessoas possam contribuir com a estrutura do programa por meio das redes sociais, por exemplo. Assim, nossa chance de acertar é maior”, afirma Aragon.
O receio faz sentido. Depois de uma intensa pesquisa
feita pela Box Brazil, os idealizadores do canal concluíram que canais
estrangeiros do mesmo ramo não se estabilizaram por terem se distanciado
muito do público.
“Verificamos que a maioria dos canais já existentes erra e acerta, ao
mesmo tempo. Existe um em particular que começou muito bem, mas focou a
programação apenas no público LGBT nos últimos tempos. Parecia que era
feita por pessoas extremistas e, como consequência, o público se
afastou”, diz Aragon, que questionado sobre de que canal se trata,
responde: “Não acho ético dizer”.
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