Desde
o primeiro dia de aula na escola Magnolia Junior High, em Moss Point,
Mississipi, em 2011, a estudante Destin Holmes, hoje com 17 anos, sofria
com o bullying vindo de colegas. Ela os ouvia sussurrar, se perguntando
se a nova aluna seria um menino ou uma menina. Mas o pior, de acordo
com um processo federal
movido pela família da garota (que exige, além de indenização, uma
reforma no distrito escolar), foi quando os professores também passaram a
discriminá-la.
Ao The Huffington Post,
Holmes, que é lésbica assumida e não se veste como a maioria das outras
garotas da sua escola, disse que era constantemente chamada de "it"
("isso"), pronome neutro que serve tanto para indicar algo masculino
quanto feminino.
A menina coleciona histórias de preconceito. Certa vez,
um dos professores a fez usar o banheiro masculino. Em outra
oportunidade, um docente a impediu de participar de uma sessão de jogos
na aula de matemática, pois a turma seria dividida entre meninos e
meninas e ela não se enquadrava em nenhuma das duas "categorias" – o
professor queria que ela sentasse no meio da classe. "Chorei durante
essa aula", lembra Holmes em entrevista ao jornal. "Eu me perguntava por
que um professor profissional fazia isso com um aluno? Eu ainda sou um
ser humano. Eu não sou uma alienígena!".
A tentativa de buscar ajuda na direção também não deu em
nada. Ela chegou a ser chamada de "idiota patética" pelo diretor, que
teria dito, de acordo com o processo, que não queria "uma lésbica em sua
escola".
Quando o nível de agressões atingiu o insuportável e a
garota já não conseguia mais se concentrar em aula, atingida que era por
bolas de papel, canetas quebradas, borrachas e outros objetos, a
família decidiu que era hora de acabar com o sofrimento da menina, e
resolveu ingressar com uma ação judicial.
No processo, escola, superintendência e conselho escolar
são acusados de assediar moralmente a garota por causa de sua
orientação sexual. Para a família de Holmes, essa não é apenas uma ação
para melhorar a vida da menina no colégio, mas para tentar mudar uma
cultura de preconceitos que existe no sistema colegial. Assim, além de
pedir uma indenização, a ação também pede uma série de reformas no
distrito escolar.
"Eu quero ser tratada como todas as outras crianças da
escola. Eu vou para a escola para receber educação, não para sofrer
bullying", completa a garota.
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