O que muda
para um pai ou uma mãe descobrir que seu filho ou filha é homossexual?
Para muitos, pode ser o início de uma guerra. Para tentar apaziguar
corações e mentes e gerar boas reflexões sobre o assunto surgiu em
Sorocaba o GPH (Grupo de Pais de Homossexuais).
Inspirado
pela iniciativa da psicóloga Edith Modesto, 76 anos, fundadora e
presidente da ONG Grupo de Pais de Homossexuais e pesquisadora da USP
(Universidade de São Paulo), o grupo em Sorocaba, promove encontros
mensais, realizados no auditório da Secretaria da Cidadania, sempre às
terças-feiras, às 19h30.
Até janeiro, esses
encontros eram divididos em duas sessões, às 19h e às 20h30, um para os
jovens e outro para os pais. Mas desde terça, passou a ser simultâneo.
Outra
novidade é que a psicóloga Edith Modesto, que participou das reuniões
até o 10º encontro, passou a bola para os pais coordenarem as
discussões. A coordenadora do GPH, Larissa Gallep, diz que um grupo de
pais fez curso com a Edith para serem multiplicadores e promoverem as
discussões.
Entre eles, está Jorge, 60, que
prefere não ser identificado para que sua filha não sofra preconceitos.
Ele é casado e tem duas filhas. As duas são casadas. Uma com um homem e a
outra com uma mulher. No encontro de terça (18), Jorge contou sua
experiência em casa quando descobriu homossexualidade da filha.
“Os
jovens devem entender os pais, porque precisamos de um tempo”, afirma
Jorge que teve uma mudança brusca no comportamento com a filha.
“As
duas jogavam futebol e traziam as amigas para casa, fazíamos churrasco
sempre e nunca tive preconceito com as meninas que namoravam meninas,
mas quando descobri que minha filha era homossexual falei que iríamos
até a Parada Gay para defender a causa, mas queria que deixasse disso”,
conta.
Jorge e a mulher sofreram muito, da
mesma forma, a filha, que até saiu da casa dos pais. Hoje estão todos
felizes. Jorge compartilhou sua felicidade com outros pais.
No primeiro impacto após a notícia, busca é pela ‘cura gay’
Quando
o filho de S., 52 anos, contou a ela e ao marido que era gay, tinha 14
anos de idade. A revelação causou um susto grande no pai. “Eu já
desconfiava e fui o ajudando a contar”, diz.
Mesmo
inconformado o pai começou a procurar ajuda e orientação pela internet e
descobriu o grupo virtual da psicóloga Edith Modesto. Depois, soube do
GPH.
Diferente de S. e seu marido, a maioria
dos pais que vão pela primeira vez ao encontro buscam a “cura gay” para o
filho. Eles tentam se informar se não tem jeito de reverter a situação.
Alguns não voltam mais, outros começam a compreender e aceitar que não
há diferença entre um casal hétero ou homossexual. Deixando assim, de
sofrer.
Para o estudante Henrique Santana, 18,
todo cuidado é necessário. Ele assumiu sua orientação sexual depois de
participar do primeiro encontro do GPH. “Minha mãe é muito minha
companheira e ela sempre diz para não dar bandeira na rua porque,
realmente, há pessoas preconceituosas e violentas”, diz.
MAIS
Caiu em desuso
A palavra homossexualismo não é mais usada, por caracterizar - pelo ‘ismo’ – doença. O correto é homossexualidade.
Sigilo
Alguns
participantes jovens do GPH não se importam em aparecer na reportagem
com imagem e declarações, mas os assuntos abordados entre eles são
sigilosos.
Nas reuniões de pais a reportagem não pode ter acesso, nem identificar os entrevistados.
Participe
Pessoas
de todas as idades, que se encaixem no projeto, podem participar
gratuitamente, basta comparecer no horário agendado. Outras informações
podem ser obtidas pelo telefone 3219.1924.
Grupo reunido no encontro de terça no auditório da Secretaria da Cidadania
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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
Pais apoiam filhos homossexuais
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