Organizado por
movimentos estudantis e entidades de Lésbicas, Gays Bissexuais e
Transgêneros (LGBT), um "beijaço" foi realizado no início da tarde desta
quinta-feira (13) em frente ao diretório estadual do Partido
Progressista (PP), em Porto Alegre. Segundo os organizadores, cerca de
70 pessoas foram ao local, onde algumas pessoas do mesmo sexo se
beijaram ao mesmo tempo.
O
protesto teve como alvo principal o deputado federal Luís Carlos Heinze
(PP-RS). No mês passado, um vídeo no qual o parlamentar diz que “gays,
lésbicas, índios e quilombolas são tudo o que não presta” circulou com
força nas redes sociais e gerou uma representação no Ministério Público
Federal por suposta incitação ao ódio.
“No ano passado, o
movimento LGBT bateu bastante no Feliciano (deputado federal Marcos
Feliciano), mas se perdeu a perspectiva de falar que partidos estão por
trás. O PP tem o Bolsonoro (deputado federal Jair Bolsonaro) no Rio de
Janeiro e o Heinze no Rio Grande do Sul. O objetivo agora é encontrar
meios jurídicos para pedir a cassação do mandato dele”, disse o
estudante de Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio Grande do
Sul (UFGRS) Lucas Maróstica, de 23 anos.
Militante do Coletivo
Juntos e do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), ele protagonizou com
um amigo de um grêmio estudantil um dos beijos em frente à sede do PP.
“Fomos muito bem recebidos pelo público. Estamos em um bom momento para
debater a homofobia no Brasil”, avaliou.
A manifestação do
beijaço, que, segundo ele, reuniu cerca de 70 pessoas, durou uma hora e
meia. Mais cedo, o grupo promoveu um protesto contra o preconceito na
Esquina Democrática, tradicional ponto de manifestações no Centro de
Porto Alegre.
Na porta da sede do
PP, o presidente do partido, Celso Bernardi, tentou convencer, em vão, o
grupo a entrar para trocar ideias sobre o tema. “O partido é plural.
Ele está aberto. Reafirmamos que consideramos infelizes as declarações
do deputado. Ele já reconheceu seu equívoco. Continuamos abertos e
respeitamos esse tipo de manifestação”, disse Bernardi ao G1.
Declaração e arrependimento
O
vídeo que é pivô da polêmica foi gravado durante discurso de Heinze e o
deputado federal Alceu Moreira (PMDB-RS), em novembro de 2013 no
município de Vicente Dutra, na Região Norte do estado."No mesmo governo,
seu Gilberto Carvalho, também ministro da presidenta Dilma, estão
aninhados quilombolas, índios, gays, lésbicas, tudo que não presta, e
eles têm a direção e o comando do governo", afirmou no vídeo. O deputado
estava no estado para o encontro promovido pela Câmara dos Deputados
para discutir a demarcação de terras indígenas.
Ele também sugeriu a
ação armada dos agricultores. "O que estão fazendo os produtores do
Pará? No Pará, eles contrataram segurança privada. Ninguém invade no
Pará, porque a Brigada Militar não lhes dá guarida lá e eles têm de
fazer a defesa das suas propriedades", disse o parlamentar. "Por isso,
pessoal, só tem um jeito: se defendam. Façam a defesa como o Pará está
fazendo. Façam a defesa como Mato Grosso do Sul está fazendo. Os índios
invadiram uma propriedade. Foram corridos da propriedade. Isso aconteceu
lá", completou, e foi aplaudido pelo público.
No mês passado, Heinze negou ao G1 ser
homofóbico ou adotar estratégias políticas de busca por votos
conservadores, a exemplo do colega Jair Bolsonaro (PP-RJ). Ele defendeu
sua posição em relação à questão agrária mas se desculpou,
principalmente em relação aos homossexuais.
Ainda
em fevereiro, a subprocuradora-geral da República Deborah Duprat
Pereira, coordenadora da 6ª Câmara de Coordenação e Revisão do
Ministério Público Federal (MPF), ofereceu representação criminal contra
os deputados federais Luís Carlos Heinze (PP) e Alceu Moreira (PMDB).
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