A construção da barragem em Santa Maria da Serra, próximo a Botucatu,
esbarra com o primeiro obstáculo. O Grupo de Atuação Especial de Defesa
do Meio Ambiente (Gaema) ligado ao Ministério Público recomendou esta
semana para não ser emitida a Licença Prévia (LP) antes de saneadas as
deficiências técnicas no Estudo de Impacto Ambiental (EIA-Rima). A
barragem, orçada em R$ 670 milhões, que deixará o rio Piracicaba
navegável em 45 km, e tem importância estratégica para ampliar a navegabilidade da hidrovia Tietê-Paraná, com forte influência na
economia de Bauru, Botucatu, Jaú e demais cidades localizadas nas
margens.
O entrave é o represamento que irá destruir o Mini Pantanal Paulista
(denominado Tanquã). Para promotores de justiça, isso pode gerar
prejuízos inestimáveis à fauna - parte dela ameaçada de extinção no
Estado de São Paulo - e flora, risco de inundação na zona urbana de
Piracicaba, bem como aos pescadores residentes às margens do Tanquã.
O Gaema também critica a diretoria do Departamento Hidroviário (DH) por
ter se comprometido a realizar um seminário específico para discutir os
custos e alternativas ao empreendimento e que não teria sido realizado.
O DH diz que realizou os seminários (leia texto nesta página). O
projeto remonta a década de 1970 com uma pequena hidrelétrica acoplada e
uma eclusa, mas foi tirado da gaveta no governo Geraldo Alckmin (PSDB)
com apoio do governo federal com recursos do Plano de Aceleração do
Crescimento (PAC).
No documento divulgado no site do MP na Internet os promotores de
Justiça Ivan Carneiro Castanheiro e Alexandra Martins Facciolli sugerem
substituir-se o trecho de hidrovia pela ferrovia que já chegaria até o
Terminal Portuário em Ártemis, estendendo-a até Santa Maria da Serra.
Ambientalistas alegam que a barragem vai provocar o afogamento da área
de várzea conhecida como Tanquã, composta de três fragmentos de Mata
Atlântica ainda intactos.
A Cetesb informou nesta quinta-feira (27) que só irá se manifestar no
final do processo, quando emitir o seu parecer acerca do empreendimento.
DH diz que promoveu seminários
O Departamento Hidroviário (DH) informou nesta quinta que foram
realizadas cinco audiências públicas previstas no processo de
licenciamento ambiental e dois Seminários Técnicos Regionais sobre os
temas que apresentaram maior necessidade de esclarecimentos. O primeiro
foi sobre o Terminal Intermodal, ramal ferroviário e os custos
envolvidos nas possíveis alternativas, e o segundo para apresentar os
detalhes e destacar os resultados dos estudos que demonstraram que não
há possibilidade de interferência do futuro reservatório com enchentes
em áreas urbanas das cidades envolvidas, e que não haverá piora na
qualidade da água do rio Piracicaba com a implantação do empreendimento.
Haverá ainda um terceiro seminário, a ser realizado no dia 31 de março,
sobre o potencial de desenvolvimento do turismo náutico.
O DH informou que foram promovidas reuniões com a população do Tanquã
para esclarecimentos sobre o projeto e sobre a situação proposta para a
sua realocação.
Em nota, o Departamento Hidroviário ressalta ainda que não faltaram
oportunidades para serem debatidas e esclarecidas questões específicas
sobre os estudos ambientais, e ainda continuarão as discussões e
interações com as entidades e órgãos da região durante todas as fases do
licenciamento ambiental e de implantação do empreendimento, quando
serão implementados os programas ambientais, com a necessária
participação de toda a sociedade.
Projeto possibilita estender hidrovia
O projeto da construção de uma barragem no rio Piracicaba é conhecido
tecnicamente de “Aproveitamento Múltiplo de Santa Maria da Serra” para
extensão da hidrovia Tietê-Paraná para permitir a navegação até o
distrito de Ártemis, em Piracicaba.
Aproveitamento múltiplo significa que, além da navegação, segundo o
DH, o empreendimento terá outras finalidades, como a geração de energia
elétrica (por meio de uma pequena central hidrelétrica), a implantação
de terminal multimodal e uma plataforma logística em Ártemis, e o
desenvolvimento de um polo turístico nas margens do reservatório e no
Canal do Samambaia.
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