A
Prefeitura de Botucatu, através da Assessoria em Políticas de Inclusão
Social, Secretarias de Indústria, Comércio e Serviços, promoveu na manhã
desta terça-feira (8), no escritório regional do Sebrae, o primeiro
Encontro Sobre a Empregabilidade da Pessoa com Deficiência [PCD].
Ele contou com o apoio do próprio Sebrae, Sincomércio e
Fiesp/Ciesp, além da participação de representantes do Poder Público
Municipal, entidades ligadas à área da pessoa com deficiência e
iniciativa privada. O foco foi de levar informação e estimular ações que
possam aproximar ainda mais as pessoas com deficiência das vagas de
emprego disponíveis no mercado de trabalho.
A pedagoga e especialista em Práticas de Educação Especial
Inclusiva, Leda Rodrigues da Secretaria de Direitos Humanos da
Presidência da República, palestrou sobre o Pronatec (Programa Nacional
de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego) - Viver Sem Limite, pelo qual é
consultora. Ela destacou o leque de cursos ofertados para a capacitação
profissional gratuita pelo programa do Governo Federal, mas que ainda
tem baixa adesão das pessoas com deficiência.
“O catálogo de cursos do Pronatec respeita a realidade de demanda
local. Aqui em Botucatu temos dezenas de cursos executados em parceria
com a Assistência Social e entidades do Sistema S [Senai, Senac e
Sest/Senat]. Em 2013 tivemos em Botucatu 1.198 matrículas em cursos do
Pronatec, mas destes apenas quatro eram pessoas com deficiência”,
compara.
Outro dado preocupante foi dado por Marinalva Cruz, coordenadora do
Programa de Apoio à Pessoa com Deficiência (Pafed), vinculado à
Secretaria Estadual do Emprego e Relações do Trabalho (Sert). Segundo
ela, até 2012, Botucatu contabilizava pouco mais de 39,2 mil pessoas no
mercado formal de trabalho, ou seja, com carteira assinada. Deste total,
apenas 424 eram pessoas com deficiência.
“Esse número representa 1,1% da população, mas ainda está acima da
média nacional que é de 0,7%, o que é ainda mais preocupante. Por isso
temos que pensar além das cotas para garantir que este profissional
possa ser inserido no mercado e crescer com um emprego efetivo, com
direitos e deveres, e condições que possa ser exigida sua
produtividade”, argumenta.
Ana Paula Peguin, gestora do Sebrae-SP, também esteve no encontro e
falou sobre as alternativas e vantagens às empresas que buscam
incorporar pessoas com deficiência no quadro de funcionários delas.
Segundo ela, o próprio Sebrae estabeleceu há poucos anos uma nova
política interna não apenas para empregar, como também poder atender
melhor pessoas com deficiência.
“Todos os 45 prédios do Sebrae espalhados pelo País passarão por
reformas de adequação; nossas novas publicações sairão em braile; e
nossos funcionários também estão recebendo cursos de libras [linguagem
brasileira de sinais]. Nós do Sebrae não apenas incentivamos como também
orientamos o empresário como contratar a pessoa com deficiência. O
segredo é enxergar em primeiro plano a pessoa, com suas competências e
habilidades, e não a deficiência”, enfatiza.
Paulo Malagutte, assessor em Políticas de Inclusão Social da
Prefeitura de Botucatu, e Alexander Daush, presidente do Conselho
Municipal da Pessoa com Deficiência, se mostraram bastante otimistas com
os desdobramentos que poderão ser concretizados a partir deste
encontro. Para ambos, o saldo positivo do evento foi ter reunido todos
os atores relacionados ao tema, especialmente as empresas.
“Foi uma forma de fixar na cabeça do empresário que contratar uma
pessoa com deficiência não é um bicho de sete cabeças. Agora, o assunto
deve ser aprofundado para trabalharmos as vocações de Botucatu, porque o
reflexo da inserção dessas pessoas no mercado de trabalho será sentido
na sociedade como um todo”, avalia Daush.
“Dar continuidade agora é fundamental. Tanto a Marinalva [Cruz] e a
Leda [Rodrigues] já deram abertura para que Botucatu crie condições
para receber assessoramento dos serviços oferecidos tanto pelo governo
estadual quanto federal. O Pafed, em particular, poderá ser direcionado a
cada empresa. Isso nos dá motivação para articular novas ações para que
o mercado de trabalho da Cidade possa absorver a demanda das PCDs”,
completa Malagutte.
O prefeito de Botucatu, João Cury Neto, também participou e elogiou
a iniciativa do encontro. Para ele, além das obras de acessibilidade,
as pessoas com deficiência esperam do Poder Público e das empresas
iniciativas mais concretas que gerem as mesmas oportunidades oferecidas à
população como um todo.
“O desafio não é preencher cotas. Temos que ir além da legislação.
Botucatu tem uma porcentagem significativa de pessoas com deficiência,
mas que não está no mercado de trabalho por algum motivo: vergonha,
dificuldades ou por não encontrar eco às suas necessidades. A grande
pergunta que fica é onde elas estão? Muitas inclusive têm medo de perder
benefícios caso consiga um emprego. Como Poder Público, temos que dar
esperança a estas pessoas de que o emprego é o que liberta o homem e o
que pode gerar novas oportunidades e perspectivas a elas e suas
famílias”, afirma.
Pronatec
Pelo Pronatec, as pessoas com deficiência podem fazer cursos de
qualificação profissional gratuitos executados em parceria com o Senac e
Senai. Eles são destinados prioritariamente às pessoas inseridas em
grupos de vulnerabilidade social ou exclusão social.
Os grupos são os seguintes: beneficiários dos programas de
transferência de renda e Benefício de Prestação Continuada (BPC);
inscritos no Cadastro Único (CadÚnico) ou em processo de inscrição, com
renda de até três salários mínimos; pessoas com Ensino Fundamental
Incompleto ao Ensino Médio; jovens a partir de 16 anos e adultos.
Para se inscrever, os interessados devem ter em mãos os seguintes
documentos: RG, CPF e Título de Eleitor; Carteira de Trabalho; Certidão
de Nascimento; Certidão de Casamento; conta de energia (mês atual ou
inferior); e declaração da escola onde os filhos estudam.
As inscrições serão efetuadas no Central de Cadastro Único de
Botucatu, localizada na Rua Cardoso de Almeida, 919 – Centro. Mais
informações pelo telefone (14) 3814-0896 ou pelo site
www.pronatec.mec.gov.br.
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quarta-feira, 9 de abril de 2014
Encontro traz à tona desafios para empregabilidade da Pessoa com Deficiência
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