Até ontem, no entanto, a
perspectiva era negativa: apenas Argentina, Uruguai e Equador assinaram
a proposta; o Paraguai, país anfitrião do encontro, negou-se
publicamente a assinar a declaração e enfrentou protestos de um grupo de
lésbicas que se manifestou em frente ao local onde os chanceleres dos
países integrantes da OEA se reúnem. As militantes feministas
relembraram que, às vésperas da realização da cúpula da OEA, o Senado
paraguaio aprovou moção em que convocava o governo do presidente Horácio
Cartes a "promover o direito à vida desde a concepção e a proteção
integral da família nos moldes estabelecidos pela Constituição", ou
seja, apenas aquela composta por um homem e uma mulher.
Cartes, de orientação
política conservadora, foi eleito presidente do Paraguai após o golpe de
estado contra o ex-presidente Fernando Lugo, de perfil progressista. O
golpe que derrubou Lugo foi articulado justamente pelo Senado paraguaio,
reduto dos partidos de direita do país.
No Brasil, dados do
Grupo Gay da Bahia, entidade de defesa dos direitos LGBT mais antiga do
país, dão conta de que a homofobia causa uma morte a cada 26 horas. Em
2012, foram 388 vítimas de crimes de ódio contra homo, bi e
transsexuais. De
acordo com estudo realizado pelo grupo, o Brasil estava em primeiro
lugar no ranking mundial de assassinatos homofóbicos em 2012,
concentrando 44% do total de mortes desse tipo em todo o planeta naquele
ano, 770.
Ainda segundo o grupo,
com base nos dados de 2012, São Paulo foi o Estado onde mais
homossexuais foram assassinados em números absolutos, com 45 vítimas, e
Alagoas foi o Estado mais perigoso para homossexuais em termos
relativos, com um índice de 5,6 assassinatos por milhão de habitantes.
Para toda a população brasileira, o índice é 1,7 vítima LGBT por milhão
de brasileiros.
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