O casamento das duas foi um dos 130 que ocorreram no DF,
desde maio de 2013, quando a união homoafetiva passou a ser permitida
no País. O levantamento foi feito pela Associação dos Notários e
Registradores do Brasil (Anoreg-Br) com dados dos 12 cartórios de
Registro Civil do DF. O número foi obtido com exclusividade pela Agência
Brasil. Nesta quarta-feira, a Resolução 175 do Conselho Nacional de
Justiça (CNJ), que permitiu o casamento civil entre pessoas do mesmo
sexo, completa um ano.
"Para mim, é uma conquista muito grande dos nossos
direitos. A sociedade acha que nosso relacionamento é errado, a Igreja
acha que é pecado. Se a gente pode trabalhar, se paga impostos, por que
não pode ter esse direito como qualquer outra pessoa?"
Ela relata que as duas já moravam juntas há seis meses,
mas que foi o casamento que tornou a relação pública. "Trabalho há 14
anos na mesma empresa, todo mundo suspeitava, mas não tinha certeza, até
eu me casar com a Yglessyanne. Graças a Deus, todos aceitaram numa
boa", diz Alessandra, que é supervisora comercial. Elas planejam ter um
filho.
A
possibilidade de ter um bebê também foi um dos motivos do casamento de
Milena Ganzelevitch. Ela mora com a mulher, que pediu para não ser
identificada, há 12 anos. As duas casaram-se no dia 31 de março deste
ano e, em breve, terão um novo membro na família. Milena está grávida de
8 meses da Maria Luísa, nome escolhido em homenagem à avó materna. "O
que muda agora é a questão social. Para a sociedade, somos legalmente
casadas", diz. "O casamento mesmo foi muito rapidinho, não deu tempo
para organizar festa. No cartório, não tivemos problema nenhum de
preconceito, só os olhares curiosos das pessoas que estavam ali".
Os números divulgados pela Anoreg-Br correspondem ao
total de casamentos realizados até ontem. A entidade diz que pretende
fazer um levantamento nacional. Em março, a Associação dos Registradores
de Pessoas Naturais do Estado de São Paulo (Arpen-SP) divulgou
levantamento semelhante. Foram 701 uniões homossexuais realizadas em 58
cartórios da capital paulista.
No DF, o mês de maior procura foi maio de 2013, quando a
resolução passou a vigorar. Ocorreram, então, 18 casamentos
homoafetivos. Os demais meses registraram, no mínimo, seis casamentos.
Para o presidente da Anoreg-Br, Rogério Portugal
Bacellar, a resolução do CNJ agiliza o processo do casamento e garante a
cidadania, uma vez que passa para os cartórios algumas incumbências que
eram restritas ao Judiciário. "Há um ano, os casais homoafetivos, com a
resolução, foram equiparados a qualquer outro casal formado por um
homem e uma mulher. Com isso, acabou a discriminação."
Ele também explica que união estável e o casamento civil
garantem os mesmos direitos sobre os bens. A diferença é o status
civil. Em uma união estável, não é possível mudar o status de solteiro
para casado.
Para o servidor público Rodrigo Rodrigues, isso faz
muita diferença. "O casamento não é só um ato de amor entre duas
pessoas, estarmos casados vira também um ato político", diz Rodrigues,
que é casado com o também servidor público Thiago Rodrigues desde
setembro do ano passado. "Quando as pessoas falam que ele é meu
companheiro, eu corrijo: É meu marido."
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