Parada do Orgulho Gay argentina homenageia Cristina Kirchner
Uma multidão transformou neste sábado o centro de Buenos
Aires em uma festa multicolorida por ocasião da 22ª "Parada do Orgulho
Gay", na qual a presidente argentina, Cristina Kirchner, foi homenageada
simbolicamente por seu trabalho em defesa da comunidade homossexual.
Cristina, que neste sábado recebeu alta após um mês de
convalescença depois de uma neurocirurgia, foi reconhecida em frente ao
Congresso argentino "por seu apoio a uma lei de fertilização assistida
sem nenhum tipo de discriminação", explicou à Agência Efe
Esteban Paulón, presidente da Federação Argentina de lésbicas, gays,
bissexuais e trans (FALGBT), uma das organizadoras presentes na
passeata.
A lei, aprovada em junho passado, "amplia o direito à
família para todos e para todas", disse à Efe o presidente da Comunidade
Homossexual Argentina (CHA), César Cigliutti.
O arco-íris que representa o movimento LGBT se
multiplicou na Praça de Maio de Buenos Aires em centenas de bandeiras,
pulseiras, colares, pins, figuras de origami e inclusive em
guarda-chuvas, abertos em uma tarde de vento com ameaça de chuva.
"Somos iguais e diferentes", se lia em colunas gigantes
instaladas na praça da capital, palco de uma feira a favor da
diversidade sexual com a qual começaram os atos do Orgulho Gay.
A partir das seis da tarde locais e ao ritmo marcado por
comparsas, colunas de manifestantes marcharam desde a praça rumo às
portas do Parlamento para festejar os avanços conseguidos e exigir "uma
educação sexual igualitária, livre e laica", o lema desta edição.
Com esse objetivo em mente, uma nova editora infantil
foi lançada esta semana, a Molinos del Viento, que apresentou na feira
seus três primeiros livros: "Anita y sus dos mamás", "¿Cómo llegué a
este mundo?" y "Hay muchas cosas que están bien".
"A implementação dos planos educativos na Argentina
depende dos Governos regionais, o que causa grandes diferenças entre
províncias", denunciou Paulón.
A comunidade LGTB exigiu também a aprovação de uma lei
que penalize a discriminação por orientação sexual, como as que já
existem em países como Chile e Espanha, entre outros.
"Podemos casar, podemos mudar nossos DNIs, mas não
estamos protegidos se sofremos discriminação no trabalho ou em outros
âmbitos", lamentou o presidente da CHA.
"Sou o que sou", "Nem do Estado nem da Igreja, meu corpo
é meu", podia ser lida nas camisetas de algumas das participantes, a
poucos metros da catedral onde o ex-arcebispo de Buenos Aires Jorge
Bergoglio presidiu várias missas antes de ser eleito papa.
As associações organizadoras acusaram o atual pontífice
de "disfarçar sua homofobia" desde sua chegada ao Vaticano em março
passado, mas advertiram que é a mesma pessoa que qualificou como "um
plano do demônio" a lei do casamento igualitário.
"Estamos muito atentos ao que acontece quando começar a
ser discutido o novo Código Civil. Se vão desaparecer direitos muito
progressistas, como a barriga de aluguel e o divórcio expresso não
teremos dúvidas de que houve pressão da Igreja e do papa", afirmou
Paulón.
Durante a Presidência de Cristina, a Argentina aprovou a
Lei do casamento igualitário (2010), que legaliza as uniões
homossexuais, a Lei de identidade de gênero (2012), que permite ao
coletivo transexual modificar seu gênero, nome e fotografia nos
documentos oficiais e a Lei de fertilização assistida (2013).
A "Parada do Orgulho Gay", realizada todo novembro na
Argentina desde 1992, foi declarada "de interesse social, cultural e
para a defesa dos direitos humanos" na sexta-feira passada pelo
Legislativo da cidade de Buenos Aires.
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