Por Gustavo Baena
Após o episódio da nudez frontal, o programa "Amor & Sexo"
volta a causar burburinho ao exibir um beijo gay. Um assunto tão
debatido e que a Globo não consegue inserir nas novelas - apesar da
expectativa - foi ar de forma simples e sem traumas.
Dois homens se beijando em programas de TV até que não é novidade no Brasil, mas na maior emissora do País é um avanço por tornar a discussão sobre a homossexualidade mais abrangente (ainda que seja um selinho). Pelo visto, a Globo já vem ensaiando ampliar a abordagem. O beijo numa novela é questão de tempo. Sob o pretexto de comer macarrão reproduzindo a clássica cena do desenho "A Dama e o Vagabundo", um casal gay da plateia protagonizou a "polêmica" diante de Fernanda Lima e seus convidados.
Nas redes sociais, o assunto logo virou notícia e com muitos comentários favoráveis ao programa. Muitos até lamentavam o fato de ser a última temporada da atração. Depois de tanta repercussão, será? Fernanda chegou a ser cotada para o novo "Vídeo Show".
"Amor & Sexo" consegue unir ousadia e diversão. Em tom de brincadeira, provoca reflexão sobre mudanças de comportamento e questões sociais. Para um programa se propõe a tratar de sexo e sexualidade de forma "performática", a linha entre show e vulgaridade é muito tênue. Mas a atração não subestima a inteligência do telespectador.
Embora possa parecer moderno demais ou uma afronta para alguns, é a reprodução da sociedade, uma realidade que muitos preferem ignorar ou "demonizar" com argumentos morais ou religiosos. Tamanha pressão só serve para alimentar preconceitos e impedir o respeito à diversidade.
Já para os que pensam que é uma overdose do tema (ainda que sem o beijo nas novelas), a presença de gays - assim como de negros etc. - tem que ser algo natural, não para cumprir cota ou ser caricatura e motivo de chacota. Quando chamar alguém de "gay", "bicha" ou "veado" deixar de ser sinônimo de xingamento, motivo de ofensa ou tentativa de constrangimento vão entender.
Já disse e repito: ninguém escolhe nada. Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é.
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