Quase 40 anos depois, Looking, nova série da HBO, mostra a cena atual do cartão-postal GLS com a história de três amigos que vivem o drama que dá título à história. E, com alguns baldes de água fria, delatam os problemas do tal paraíso.
O personagem central é
Patrick (Jonathan Groff), um designer de videogames de 29 anos que não
tem sorte no campo sentimental. Seu namoro mais longo durou pouco menos
que cinco meses e ele é um daqueles viciados em aplicativos e redes sociais
de relacionamentos, mas suas investidas não costumam render bons
frutos. Dom (Murray Bartlett) é o mais velho do grupo e sofre com crise
de idade por estar prestes a completar 40 anos e continuar solteiro. Já o
aspirante a artista Augustín (Frankie J. Alvarez) é o único
comprometido da trinca, mas passa a questionar a existência da monogamia
dentro do universo gay ao se interessar por outros rapazes.
A série estreou no
dia 19 e somente foram ao ar dois episódios dos oito previstos para esta
temporada. E, até agora, nada de inovador foi apresentado. Não que isso
faça dela uma história ruim. Há um certo charme e humor em alguns
momentos, mas toda a promessa de inovação anunciada antes da estreia,
até o momento, não aconteceu.
E talvez a grande culpada seja a extinta Queer As Folk
(2000- 2005), que fez algo semelhante a Avenida Brasil no horário nobre
da Globo: suas sucessoras não obtiveram o mesmo êxito e sofrem com as
comparações. Pioneira ao retratar abertamente na TV o universo gay,
relacionamentos, promiscuidade, culto ao corpo, drogas e sexo eram
exibidos sem o menor pudor. Mas ela não se resumiu a isso. Questões
sociais e direitos civis dos gays foram debatidos dentro da realidade
dos personagens. E tinha um pano de fundo sensível, mostrando o processo de aceitação e os problemas familiares e profissionais por conta da sexualidade.
Em Looking, tudo isso
já está bem resolvido. Patrick, Dom e Augustín sabem perfeitamente quem
são e toda a problemática, por hora, está centrada na procura por um
companheiro.
O primeiro episódio,
Looking for Now, acerta ao apresentar logo de cara quem é quem na
história. Patrick, que segue o perfil nerd e desajeitado, é bastante
divertido. Nas primeiras cenas, ele vai com os amigos a um parque em
busca de sexo casual e encontra um rapaz afoito. Antes de iniciar, ele
tenta saber o nome, idade e profissão de seu novo companheiro,
mas é simplesmente ignorado e tem a calça arriada em questão de
segundos. Até o final, outras quatro cenas de sexo são exibidas. O
rápido jogo de câmeras e os diálogos bem estruturados deram o dinamismo
perfeito para a estreia. Porém, o capítulo seguinte é arrastado,
recheado de clichês e os 30 minutos pareceram durar muito mais. A falta
de um enredo substancial fere a expectativa pelo episódio seguinte. Os
personagens apenas buscam sexo. Seus dramas pessoais não estão bem
expostos e talvez nem ganhem espaço nas cenas que estão por vir.
Mas o elenco é empenhado. Embora os protagonistas tenham encontrado o tom certo para dosar humor e emoção, quem sobressai é Lauren Weedman, intérprete de Doris, amiga e confidente de Dom, com suas boas tiradas e seu humor. Uma pena aparecer tão pouco. Jonathan Groff deu um ar angelical ao nerd Patrick, e também diverte com a falta de habilidade em causar boa impressão em seus primeiros encontros.
Mas o elenco é empenhado. Embora os protagonistas tenham encontrado o tom certo para dosar humor e emoção, quem sobressai é Lauren Weedman, intérprete de Doris, amiga e confidente de Dom, com suas boas tiradas e seu humor. Uma pena aparecer tão pouco. Jonathan Groff deu um ar angelical ao nerd Patrick, e também diverte com a falta de habilidade em causar boa impressão em seus primeiros encontros.
Embora apresentada
pela HBO como imperdível, Looking se mostra despretensiosa. Não tem um
grande roteiro, mas as boas atuações impressionam.
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