A campanha de prevenção às doenças sexualmente transmissíveis
(DSTs) e aids do carnaval deste ano será estendida a todos os grandes
eventos e festas populares, como São João e a Copa do Mundo. Com o
slogan “Se tem festa, festaço ou festinha, tem que ter camisinha”, a
mobilização pretende alertar para a prevenção nos momentos de
divertimento. A campanha, que é dirigida à população em geral - na faixa
etária de 15 a 49 anos - foi apresentada na terça-feira dia 25 pelo
ministro da Saúde, Arthur Chioro, em Brasília.
O estímulo ao uso do preservativo durante as festas
realizadas anualmente em todo o Brasil é um dos focos da campanha. São
dois filmes: o primeiro fala de festas, mas não se restringe ao carnaval
e será usado durante todo o ano. Este filme mostra imagens com os
principais eventos que irão acontecer nas mais diversas regiões do
Brasil, como a Copa do Mundo, o carnaval, festas juninas, parada gay,
entre outros. O segundo filme é sobre o personagem Juca, que apresenta
situações divertidas para todos os tipos de festas e ocasiões, com
enfoque no uso da camisinha.
“Estamos reforçando a ideia de que a prevenção deve ser feita durante
todo o ano, e não apenas no carnaval. Além disso, reafirmamos a
necessidade de trabalhar com todos os grupos da sociedade, independente
de faixa etária ou gênero, ou seja, o alvo é população brasileira
sexualmente ativa”, afirmou o ministro ao apresentar a campanha.
Segundo o ministro, além de chamar a atenção para o uso do preservativo,
a campanha alerta sobre a importância da testagem. “O diagnóstico
precoce da aids tem uma dimensão individual ao permitir o início do
tratamento mais cedo, garantindo maior qualidade de vida
ao paciente. A testagem também tem uma importância coletiva, já que o
uso dos medicamentos antirretrovirais interrompe a cadeia de transmissão
do vírus”, ressaltou o ministro.
A ideia é dar continuidade às ações nas festas regionais. A meta é
reafirmar a mensagem da campanha, “de que não importa a festa, tem que
usar camisinha durante todo o ano”. A campanha conta ainda com anúncios
em outdoor, taxidoor, abrigos de ônibus e blimps, com o tema principal e
as frases de apoio: “Proteja-se. Use sempre a camisinha” e “Faça o
teste de aids, sífilis e hepatites virais”. Cinco jingles de rádio
também estão sendo veiculados, nos ritmos pop, axé, sertanejo, e
carnaval. O Ministério da Saúde também confeccionou a arte gráfica para cartazes, folhetos, folderes, bandanas, mobiliário urbano, porta-trecos, todos disponíveis no site do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais para serem reproduzidos por estados e municípios.
Serão realizadas campanhas regionais em todo o país, organizadas pelas
secretarias estaduais e municipais de saúde. Em cidades de maior
concentração de pessoas - como o Rio de Janeiro, Salvador, Recife e
Olinda – estão previstas ações, com a distribuição de folhetos,
acompanhados de porta-camisinhas, bandanas, camisetas e preservativos.
Nestas cidades haverá ainda mobiliário urbano em locais de festas, com Blimp e balão show.
“O Brasil faz campanha de prevenção durante todo o ano, sempre em
parceria com as secretarias municipais de saúde, organizações da
sociedade civil e instituições da sociedade civil. Neste carnaval,
estamos privilegiando os momentos de festas”, explica o secretário de
Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa. O
secretário também ressaltou a importância do diagnóstico precoce.
“Qualquer pessoa que tiver vida sexual ativa deve fazer o teste. Desde o
ano passado o protocolo para adultos, adotado pelo Brasil, já indica o
início imediato do tratamento para as pessoas que descobrirem ser
soropositivas”, observa Jarbas Barbosa.
Uma das ações do Ministério da Saúde para reforçar a prevenção é a
distribuição de preservativos aos estados e municípios. Na primeira
remessa deste ano, foram enviados 104 milhões de unidades para atender a
demanda até o mês de março. O quantitativo é definido a partir do
consumo médio mensal, da capacidade de armazenagem e do estoque do
almoxarifado local nos estados. Em 2013, durante todo o ano, o
Ministério da Saúde distribuiu 610 milhões de preservativos para todo o
país.
Testagem - Um das mais bem sucedidas estratégias do Ministério da Saúde
no combate à epidemia é o Fique Sabendo, ação direcionada à ampliação do
diagnóstico precoce da população. Lançados em 2005, os testes são
oferecidos em Unidades Básicas de Saúde, Centros de Testagem e
Aconselhamento (CTA), ambulatórios ou em locais como praças, feiras e
eventos específicos como festas e shows.
Nestas ações são utilizados testes rápidos, que fica pronto em cerca de
30 minutos, sendo necessária apenas uma gota de sangue. Os testes
rápidos começaram a ser utilizados, em larga escala em 2005, quando
foram distribuídos 509 mil unidades em todo o país. Em oito anos, a
oferta cresceu 800%, com 4,7 milhões de testes distribuídos em 2013. O
diagnóstico precoce é importante para quebrar a cadeia de transmissão do
vírus e promover o acompanhamento do paciente, evitando o
desenvolvimento de aids, além de permitir que o paciente inicie o
tratamento mais cedo.
Cenário da infecção - A epidemia de aids no Brasil está estabilizada,
com taxa de detecção em torno de 20 casos de aids a cada 100 mil
habitantes, o que representa cerca de 39 mil casos novos da doença ao
ano. Estimativas indicam que, atualmente, cerca de 718 mil pessoas vivam
com HIV, sendo que 150 mil desconhecem sua situação. O não conhecimento
da sorologia é hoje um dos desafios a serem enfrentados no combate à
doença no país. Atualmente, estão em tratamento com medicamentos
antirretrovirais, ofertados pelo SUS, cerca de 340 mil pessoas.
O coeficiente de mortalidade por aids vem caindo no Brasil nos últimos
10 anos. Em 2003, era de 6,4 casos por cada 100 mil habitantes, caindo
para 5,5 por 100 mil habitantes em 2012. Do total de óbitos por aids no
Brasil, até o ano passado, 190.215 (71,6%) ocorreram entre homens e
75.371 (28,4%) entre mulheres.
Novo protocolo – O Ministério da Saúde lançou, no final do ano passado,
um novo protocolo de tratamento para pessoas com HIV. Uma das principais
inovações é possibilitar que o paciente inicie o tratamento logo após a
confirmação da presença do vírus no organismo. A medida amplia a
qualidade de vida da pessoa em tratamento e reduz a possibilidade de
transmissão do vírus. Estudos internacionais apontam que o uso precoce
de antirretrovirais diminui em 96% a taxa de transmissão do HIV.
O investimento federal no combate à aids e às demais doenças sexualmente
transmissíveis chegou a R$ 1,2 bilhão em 2013, dos quais cerca de R$
770 milhões custeiam a oferta dos medicamentos. Há 10 anos, a verba era
quase metade disso: R$ 689 milhões, dos quais R$ 551 milhões usados em
tratamento. Além disso, a rede de assistência conta hoje com 518 Centros
de Testagem e Aconselhamento (CTA), 712 Serviços de Assistência
Especializada (SAE) e 724 Unidades de Distribuição de Medicamentos
(UDM).
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