Rica em diversidade de fauna e flora
a Raimundo Puty exibe em alguns pontos um cenário de degradação em boa
parte de sua extensão com lixo e entulho. São diversos focos com pilhas
de lixo, que vão desde latas, papelão e restos de construção, móveis
velhos até materiais de difícil decomposição, como pneus, lâmpadas
fluorescentes, garrafas pet e sacos plásticos e animais mortos.
Além de ser rodeada por chácaras e
condomínios, aos finais de semana a estrada também é utilizada,
regularmente, como opção de turismo para ciclistas, jipeiros e
motociclistas, que aproveitam a beleza natural da área. O problema é
maior na área próxima ao campus da Unesp onde o desrespeito é mais
latente e o ar puro da natureza e o canto dos pássaros contrastam com o
mau cheiro do lixo orgânico despejado em meio às árvores e mata nativa.
O professor/doutor da Faculdade de
Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da Unesp de Botucatu, Carlos
Teixeira, que mora em um sítio à beira dessa estrada revela que o
descarte de lixo acontece, frequentemente, em área próxima ao perímetro
urbano. “Isso caracteriza que as pessoas despejam o lixo em local
impróprio. Se livram do problema do seu lixo acarretando problemas aos
outros que são usuários da estrada”, disse o professor da Unesp.
Teixeira enfatiza que além da
poluição visual e do solo, o lixo atrapalha a vida dos animais e aves
que vivem no local. “Mesmo se esses locais de descarte de lixo não
estiverem dentro de limites de Proteção Ambiental é uma área de
influência, de entorno. E os animais não têm divisão. Como tem todo o
tipo de lixo, alguns materiais podem machucar animais e aves, além de
atrair animais como ratos e cobras, que mudam a fauna”, explicou
Teixeira. “É uma área que deveria ser preservada e ter maior
fiscalização”, acrescentou o médico.
O veterinário salienta que,
recentemente, foi feito uma limpeza e um serviço de capinação pelo
local, mas as pessoas voltaram a usar o local como depósito de lixo.
“Outro problema é que são descartados materiais inflamáveis e qualquer
fagulha pode gerar um incêndio com fumaça tóxica, prejudicial à Saúde
humana”, alerta Teixeira.
O secretário de Meio Ambiente,
Perseu Mariani, reconhece que as estradas rurais são usadas para
depósito de lixo e alerta que a pessoa que for flagrada pode responder
por crime ambiental e poderá receber uma punição que vai desde
advertência até multas e, conforme o caso, até em prisão. “Essa é uma
questão de cidadania e conscientização e a fiscalização está sendo feita
com o intuito de flagrar os infratores”, diz Mariani.
Lembra Mariani que na zona rural é
mais difícil detectar quem joga lixo na estrada, mas na zona urbana,
principalmente na região periférica, existe um trabalho de fiscalização
de terrenos e os proprietários de imóveis, notificados por falta de
limpeza e capina. “Centenas (de proprietários) já foram autuados por não
terem atendido a solicitação de limpeza, encaminhada pela Prefeitura”,
frisou o secretário. “E esse trabalho vai continuar sendo feito”,
concluiu.
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